Dar nome ao que sinto
Quando alguém diz “estou mal”, essa frase cabe em muitas situações bem diferentes. Pode ser cansaço depois de uma semana puxada, irritação com algo que ficou mal resolvido, tristeza por uma perda, preocupação com o que vem pela frente ou frustração com algo que não saiu como se esperava. Cada uma dessas emoções costuma pedir uma resposta diferente: o cansaço pede descanso, a preocupação pode pedir um plano pequeno, a frustração talvez peça uma pausa antes de tentar de novo. Quando tudo vira apenas “mal”, fica difícil saber por onde começar. Dar um nome mais preciso ao sentimento costuma deixá-lo mais claro e, com isso, o próximo passo também.
Aqui vai um exercício simples, que leva menos de um minuto. Três vezes ao dia, por exemplo ao acordar, depois do almoço e à noite, pare um instante e faça duas perguntas: o que estou sentindo? Em qual parte do corpo isso aparece? Pode ser um aperto no peito, um peso nos ombros, um nó no estômago, a mandíbula travada. Depois escreva a palavra, no papel, no celular ou num bloco de notas, e, se quiser, anote ao lado onde ela apareceu no corpo. Um registro pode ser tão curto quanto este: “Hoje, às 15h: cansaço, peso nos ombros.” Não precisa explicar, justificar nem resolver nada. A ideia é treinar o olhar para dentro, do mesmo jeito que se treina qualquer hábito: aos poucos e com repetição.
Se no começo só aparecerem “bem” e “mal”, tudo bem. Use a lista abaixo como ponto de partida e veja qual palavra chega mais perto do que você sente agora. Com o tempo, você tende a perceber diferenças que antes passavam despercebidas, como a distância entre estar cansado e estar desanimado.
O erro mais comum nesse exercício é julgar a emoção: “não deveria estar com raiva”, “estou exagerando”, “os outros têm problemas piores”. Sentimentos são informações sobre como estamos reagindo ao que acontece, não sentenças sobre quem somos. Sentir irritação não é o mesmo que agir com irritação. Você pode reconhecer “estou irritado”, respirar fundo, esperar alguns minutos e só então decidir o que fazer, em vez de responder no impulso.
Se você usa o Life, o grupo Mente do Acompanhar a Vida é um bom lugar para guardar a palavra do dia junto com a nota da semana. Mas papel e caneta funcionam tão bem quanto. Este espaço não substitui atendimento profissional: se o que você sente estiver muito intenso, durar muito tempo ou atrapalhar a sua rotina, procure um profissional de saúde. Em momentos de sofrimento intenso, o CVV atende pelo telefone 188, 24 horas, de graça, e também pelo site cvv.org.br.
Conte para a gente nos comentários, porque a sua resposta pode ajudar outra pessoa da comunidade a nomear o que sente também: qual palavra você sente que mais faltava no seu vocabulário emocional?
- Cansaço: o corpo ou a mente pedem descanso
- Irritação: muitas vezes sinaliza que algo cruzou um limite seu
- Tristeza: costuma aparecer diante de uma perda ou de algo importante que mudou
- Preocupação: a mente está antecipando o que ainda não aconteceu
- Frustração: o resultado ficou aquém do esperado
- Solidão: falta de companhia ou de ser compreendido
- Desânimo: falta de energia para começar
- Alívio: uma tensão se soltou
- Gratidão: algo ou alguém fez bem a você
Este texto tem caráter informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde. Em caso de sofrimento intenso, procure ajuda profissional. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia (cvv.org.br).
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